segunda-feira, 18 de julho de 2011

O preconceito por trás do metal

Não sei o que ocorre, mas é fato que pra quem não conhece NEM UM PINGO do mundo do metal, ao se deparar com alguém que diz curtir/viver/respirar o gênero, logo passa pela cabeça do desinformado que o cara é drogado, anti-social, que gosta de brigar, de destruir propriedade alheia, de desrespeitar regras e tudo mais. E dos anos em que estou nesse “meio”, posso afirmar que não encontrei em nenhum dos “estilos de vida” em que já me aproximei, algo pelo menos PARECIDO com o que temos no mundo do metal.

Pra começar, a união. Um metaleiro (banger, headbanger, rockeiro ou como preferir chamar), nunca deixa outro na mão. Nunca prejudica o outro sem motivo. Não compra CD pirata das suas bandas favoritas... Aliás, como todos sabemos que não dá pra fugir, a internet está aí e poderíamos ter todas as músicas de graça, mas não, podemos até baixa-las pra conhecer o som da banda enquanto ainda não temos a oportunidade de ter o CD em mãos, mas ASSIM QUE POSSÍVEL, mesmo já tendo as músicas todas, compramos os CDs, entramos em contato com a banda pra lhe parabenizar, pesquisamos sobre os integrantes, nos importamos com a vida dos mesmos, vamos a shows assisti-los, e nesses shows ao contrário do que todos pensam, são os lugares mais civilizados em que já estive tendo tanta gente por perto. Brigas, drogas, etc? Pode ATÉ acontecer, como acontece em QUALQUER lugar, com QUALQUER tipo de público. Mas em menor escala. Já vi muito de duas pessoas brigarem, e 20 minutos depois estarem tomando cervejas juntos, após reconhecerem os motivos tolos que os levaram aquilo, e relevarem-nos. E num “show” de pagode, sertanejo ou afins? Sai facada, sai tiro, e dali é no mínimo um pra delegacia e outro para o hospital ou coisa pior, e ainda vêm me dizer dos “metaleiros”?! Em todos os shows grandes onde estive pra assistir bandas de metal, seja com público de 50 mil ou mais pessoas, NUNCA vi uma briga, nada! Mas quem vê de fora acha que somos todos contra a ordem social e etc.
Vou lhes dizer um pouco sobre mim, e que sei que se aplica a várias pessoas que conheço, algumas até que não admitiriam parte disso por terem vergonha ou sei lá o quê, achando que isso é ser “poser” (definição para um “falso metaleiro” por exemplo) ou qualquer coisa do tipo, mas eu posso garantir que isso se aplica à maioria:
Sou uma pessoa que faz o possível pra ajudar as pessoas ao redor (não, não só os metaleiros não), me importo e me preocupo com o próximo, sou trabalhador, chego a trabalhar até 20 horas por dia (isso quando não virei 2 ou 3 dias seguidos trabalhando), tenho respeito pelas leis (apesar de algumas causarem total indignação mesmo por serem totalmente desconexas da realidade, com a diferença de que tentamos expressar mais essa indignação ao invés de apenas aceita-la como faz a maioria que se submete a esse “desgoverno” que anda reinando no mundo todo e em nosso país principalmente). Eu tenho mulher (só uma), a respeito, sou fiel, a amo. Eu estudei, vivo estudando e aprendendo cada vez mais. Tenho amigos, MUITOS! Boa parte deles com o mesmo gosto musical que o meu sim, afinal por onde andamos fazemos muitos amigos, e amigos esses que na verdade são mais que irmãos! Todos também trabalham, estudam/estudaram, são gente honesta e de bem como eu.

A diferença do metaleiro, é que ele expressa suas emoções e sentimentos através da revolta com a política, com a poluição, com a pedofilia, com as guerras... Verifiquem as letras das músicas pra entendê-las melhor e saber do que estou falando, em grande parte, é disso o que trata o metal: A verdade! A realidade em que vivemos mas que a maioria não enxerga graças às mídias comprada como a televisão e os jornais. E como “nós” somos os “inimigos” disso, por isso somos tão denegridos pela mídia. A televisão mostra nosso mundo como sendo sujo, desregrado, sem conexões, sem sentimentos, sem nada do que realmente somos!
Sofremos pra conseguir realizar eventos, manter meios de comunicação através do rádio e televisão, pra mostrar que o metal vai muito mais além! Geralmente é muito difícil conseguirmos apoio do governo (seja ele municipal, estadual ou federal), de empresas, ninguém que atrelar muito seu nome ao metal como se isso fosse estragar o mesmo... E com isso, vemos muita gente esforçada, tendo que dar o sangue pra mostrar pro mundo como é o “nosso” mundo! Gastamos dinheiro que não podemos, tempo que não temos, para podermos fazer o metal continuar vivo! Eu sou apenas um “coadjuvante” do meio, mas também colaborador o quanto posso! Vejo as dificuldades que passam amigos que comandam programas de rádio, que organizam shows, que escrevem músicas, que escrevem matérias, que possuem bandas e o como sofrem pra realizarem seus shows, gravarem seus CDs... E se com esse sofrimento todo eles continuam lá, é porque o fazem com AMOR! Sim,  metaleiro também ama! Metaleiro também tem objetivos e corre atrás deles, e eu, tento colaborar com o objetivo de todos do “meio” no que posso, pois foi graças ao metal que hoje tenho uma carreira profissional (graças a um dia quando moleque ter desejado comprar minha primeira guitarra e pra isso precisava de dinheiro, procurei um emprego e comecei numa escola de informática, 12 anos atrás, mas isso é história pra outro capítulo, só quero dizer que graças a isso hoje tenho no curriculum o nome de diversas grandes empresas e responsabilidades que tive graças ao sonho de ter minha guitarra pra tentar ser como meus ídolos). Foi graças ao metal que conheci tanta gente que hoje faz parte da minha vida, pessoas as quais eu não consigo imaginar agora minha vida sem elas. Foi graças ao metal que fui a cidades que nunca teria ido pra ver shows, fui a diversos bares, estádios, galpões, terrenos baldios, qualquer "buraco” onde coubesse um equipamento de som pra nos reunirmos em prol do som que nos faz por alguns instantes imaginarmos um mundo sem problemas, onde todo mundo é amigo e quer o bem um dos outros. E cada lugar é um melhor que o outro, graças ao povo que lá encontramos.
Sertanejo por exemplo, meu pai sempre ouviu e eu cresci ouvindo, conheço tudo o que puderem imaginar sobre e acreditem, quando pequeno eu não suportava mesmo só conhecendo isso! Não gostava de música, pois achava que música era só aquilo... Até que um dia ouvi Pink Floyd e comecei a mudar de opinião sobre música, e pedi para meu tio gravar numa fita K7 (lembram disso ainda?!) uma parte do disco “The Wall”. Pouco depois conheci Beatles e Queen... Após isso conheci logo Iron Maiden, Van Halen e Kiss, e aí não teve mais volta! Portanto não é preconceito, é do sangue! Fui o primeiro na família a pender pra esse lado, não tive influência de ninguém nela, nem de amigos nem nada, pelo contrário, influenciei meu primo e alguns amigos após eu conhecer  por conta própria o que veio a ser a primeira paixão da minha vida! Demorei muito infelizmente pra conhecer o metal, mas foi quando o conheci que descobri o que queria pra minha vida! Tem gente que fala mal do que não conhece, mas como disse anteriormente, falo com muita experiência sobre o assunto. E passei até mesmo a respeitar mais o verdadeiro sertanejo, ouvir no sentido da música e seu significado e não do estilo que realmente não me agrada nem um pouco. Existem letras lindas, e até violeiros que faziam grandes obras com seus instrumentos, ao contrário de hoje com essas duplas que aparecem e somem graças às suas musiquinhas comerciais mas que passam na televisão, são apadrinhados, e se passa na TV, o povo brasileiro acha que é bom! Mas quantas duplas já não pegaram músicas feitas por bandas de rock/metal e transformaram-nas em versões próprias? Geralmente com traduções até mesmo ridículas para que pudessem rimar e tudo mais... E se fazem isso, é porque admitem que temos músicas boas o bastante pra agradar até mesmo o público deles.. E muitos desse público não fazem idéia de onde elas vieram, dão o mérito todo para seus “ídolos” e falam mal do nosso estilo... E isso não é só com o sertanejo não, tá?! Foi só UM exemplo... Até mesmo rola há um tempo o assunto do plágio de uma banda de axé com uma renomada banda do metal brasileiro... O cara disse ter ouvido uma pessoa tocando o riff e gostou, e passou a usá-lo na música do grupo. Portanto, por que nós atraímos as pessoas mesmo de fora do nosso estilo, por mais que não queiram admitir isso? No metal, quem toca, na maioria das vezes estudou MUITO sobre música e/ou seu instrumento e por muitos anos pra fazer aquilo (alguns nascem com o dom mesmo e isso não tem estudo que substitua)... Para os demais, é mais fácil simplesmente copiar...
Sonho com o dia em que seremos tratados como pessoas e não como animais... Teremos os devidos créditos e méritos aos feitos de bem, e que parassem de nos taxarem das mais diversas e pejorativas coisas possíveis. Com o dia em que teremos espaço pra divulgar nosso modo de vida, nossas músicas, teremos mais apoio para realizarmos eventos, mantermos bandas, etc. Mostrarmos que nossas músicas e afins também são cultura e merecem espaço tanto quanto qualquer outro gênero! Nesse dia, eu estarei totalmente realizado... Até lá, é batalhar e curtir da melhor maneira possível a verdadeira essência do metal: A liberdade, a diversão e o companheirismo!

E acho que é hora de parar de escrever. Adoro, quando começo não páro mais, e sei que nem todo mundo tem tempo ou paciência para ler textos muito grandes, portanto melhor parar por aqui. Agradeço a oportunidade e SE houver outra, não hesitarei em escrever novamente!

Um grande abraço aos irmãos do metal,
Rafael – The Killer (que escreveu esse texto ao som de Rebellion, Wolf e Dimmu Borgir)


2 comentários:

  1. Muito bom!
    Parabéns Rafael, adorei seu texto!

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  2. Puxa, estou honrado por ter meu texto publicado na íntegra, espero que bastante gente tenha paciência de ler tudo e goste :)
    Obrigado Selene, fico feliz que gostou!

    Abraço a todos,
    Rafael.

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